sexta-feira, 5 de abril de 2013

SPOILER: Tradução do Trecho de “The Son of Sobek” (“O Filho de Sobek”)


"A superfície do rio estava agitada e cheia de bolhas. O crocodilo tinha ido, mas no pântano aproximadamente 10 metros de distância estava um adolescente com jeans, e uma camisa laranja desbotada que dizia ACAMPAMENTO alguma coisa. Não conseguia ler o resto. Ele parecia um pouco mais velho que eu – talvez dezessete anos – com um cabelo preto despenteado e com os olhos verdes como o mar. O que realmente me chamou a atenção foi sua espada – uma lâmina reta de dois gumes que brilhava em tom de bronze.
Não sei dizer qual de nós dois estava mais surpreso. Por um segundo, o garoto do acampamento me olhou. Ele viu minha khopesh (uma espada egípcia) e minha varinha, e tive um pressentimento que ele viu aquelas coisas como elas realmente eram. Seres humanos normais tinham dificuldade em ver itens mágicos. Os cérebros dela não conseguiam interpretá-los, então geralmente eles olhavam pra minha espada e simplesmente viam um taco de baseball ou uma bengala.

Mas esse cara… ele era diferente. Logo pensei que ele deveria ser também um mágico. O único problema era, eu conhecia quase todos os mágicos da américa do norte, e nunca tinha visto esse cara antes. Também nunca tinha visto uma espada como aquela. Tudo naquele cara parece não-egípcio.

“O crocodilo,” eu disse, tentando manter minha voz tranquila “pra onde ele foi?”

O garoto do acampamento franziu a testa e disse “De nada.”

“O que?”

“ Eu prendi aquele crocodilo” Ele imitou a ação com a espada. “ Foi por isso que ele te vomitou. Então, por nada. O que você estava fazendo lá dentro?”

Admito, eu não estava com a melhor das aparências. Eu fedia e estava dolorido. E, sim, estava com um pouco de vergonha: O poderoso Carter Kane, cabeça da casa do Brooklyn, fui regurgitado da boca de um crocodilo como uma bola de pelo.

“Estava descansando” eu disse. “O que você pensa que eu estava fazendo? Agora, quem é você, e por que está lutando contra meus monstros?”

“Seu monstro?” O garoto vinha para mim atravessando a água. Ele não parecia ter nenhum problema com a lama. “ Olha cara, não sei quem é você, mas aquele crocodilo estava aterrorizando Long Island por semanas. Tomei isso como pessoal, por que essa é minha terra natal. A alguns dias atrás isso comeu um dos meus pégasus.”

Um arrepio passou pela minha espinha com se eu tivesse sido jogado em uma cerca elétrica. “Você disse Pégasus?”

Ele deixou a pergunta de lado. “É o seu monstro ou não?”

“Ele não é meu!” respondi. “ Estava tentando para-lo! Agora, onde—” “ O crocodilo foi naquela direção.” Ele apontou a espada para o sul. “Já o estaria perseguindo, mas você me assustou.”

Ele me observou, o que foi um pouco constrangedor já que ele era 15 cm mais alto que eu .Ainda não conseguia ler sua camisa, a não ser pela palavra ACAMPAMENTO. No seu pescoço estava pendurado um colar de couro, que sustentava algumas contas de argila coloridas, como artes infantis ou projetos de artesanato. Ele não estava carregando um pote mágico ou uma varinha. Talvez ele os mantivesse no Duat? Ou talvez ele só seja um mortal comum que acidentalmente encontrou uma espada mágica e achou que era um super-herói. Relíquias antigas podem de fato mexer com sua mente.

Finalmente ele sacudiu a cabeça. “Desisto. Filho de Ares? Você tem que ser um meio-sangue, mas o que aconteceu com sua espada? Está tudo dobrado.”

“É um Khopesh.” Minha surpresa rapidamente se transformou em raiva. “É feita para ser curva.” Mas eu não estava pensando sobre a espada. O garoto do acampamento tinha me chamado de meio-sangue? Talvez eu não o ouvi direito. Talvez ele quis dizer algo a mais. Mas meu pai era afro-americano. Minha mãe era branca. Meio-sangue não era uma palavra que eu gostava. “Só saia daqui,” eu disse, rangendo os dentes. “Tenho que cuidar de um certo crocodilo.”

“Cara, eu tenho que cuidar de um certo crocodilo,” ele insistiu. “ Da última vez que você tentou, ele te comeu. Lembra?”

Meus dedos estavam apertando o cabo da minha espada. “Eu tinha tudo sobre controle. Eu estava prestes a convocar um punho —” E pelo que aconteceu em seguida, assumi toda a responsabilidade. Não tive a intenção. Honestamente. Só que eu estava bravo. E como já devo ter mencionado, não sou muito com para canalizar as palavras do poder. Enquanto eu estava na barriga do crocodilo, eu estava preparando para convocar o Punho de Hórus, uma brilhante mão azul gigante que pode pulverizar portas, paredes, e qualquer coisa que esteja no seu caminho. Meu plano era bater e criar um caminho para fora do monstro. Bruto, sim; mas com certeza efetivo. Acho que aquele feitiço ainda estava em minha mente, pronto para ser atirado assim como uma arma carregada. Encarando o garoto do acampamento, eu estava furioso, sem mencionar que estava confuso; então assim que eu ia dizer a palavra punho, disse em egípcio antigo no lugar: khefa.

Um simples hieróglifo:

Você nem imaginaria que causaria tanto problema assim."

Tradução e Adaptação: Miguel Goffredo (Equipe Percy Brasil).

Fonte: mitologiasdorick

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